Olho turco: a longevidade de um amuleto

Existem centenas de amuletos e superstições diferentes no mundo inteiro, mas no que à inveja e ao mau-olhado diz respeito, talvez não exista um amuleto mais famoso do que o “Olho turco”.
Com uma origem difícil de localizar no tempo, a verdade é que o “Olho turco” (também conhecido por Olho grego, Olho azul ou Nazar) já cruzou muitas fronteiras, sendo conhecido em todo o Mundo.
É um amuleto popular muito antigo, difundido em várias regiões, destinado a proteger do mau-olhado e a repelir más energias. Crê-se que protege o seu portador ou o local onde é colocado.
É muito utilizado na Turquia e na Grécia, típico nos bazares em Istambul, mas também em casas, escritórios, dentro dos veículos, pendurado em portas, usado ao pescoço ou em pulseiras, em jóias... Chegou até a ser pintado nas traseiras dos aviões e nas proas dos navios, para assegurar uma viagem segura. Tornou-se um talismã de protecção e sorte universal!
A forma e as cores
Ao longo dos anos, o “Olho turco” foi assumindo várias formas, mas, hoje em dia, consiste genericamente num objecto de vidro, em forma de círculo ou gota, com círculos ou gotas concêntricas em que, de dentro para fora, aparece a cor azul escuro (ou preto), azul claro, branco e azul-cobalto.
A crença
Para entender o amuleto do "Olho turco", é necessário compreender a crença que o originou: o “mau-olhado”.
Plutarco, o filósofo grego (século I), sugeriu que o olho humano tinha o poder de libertar raios invisíveis de energia, em alguns casos suficientemente potentes para matar crianças ou pequenos animais. Considerava também que certas pessoas tinham uma habilidade mais forte, na maioria das vezes pessoas com olhos azuis (provavelmente porque essa característica genética era rara naquela área do Mediterrâneo).
O escritor grego Heliodoro de Emesa (século III) escreveu na célebre obra “As Etiópicas”: “Quando alguém olha o que é excelente com um olho invejoso, ele enche a atmosfera ao redor de uma qualidade perniciosa e transmite as suas próprias exalações envenenadas para quem for mais próximo dele”.
E reside aqui, em tão longínquos escritos, a explicação do conceito de “mau-olhado”: uma maldição passada por um olhar malicioso, provocado pela inveja, sobre um objecto ou uma pessoa, que tem o poder de acabar com a sua boa sorte.
Esta crença abrange diversas culturas e tem sido perpetuada ao longo de gerações. E, assim sendo, percebe-se que as pessoas procurem uma forma de repelir essa maldição.
Olho de Hórus: o antecessor
Nese Yildiran, professora de história da arte da Universidade Bahçeşehir de Istambul, lembra que a versão mais antiga dos amuletos com olhos remonta a 3.300 a.C. Os amuletos foram encontrados em escavações em Tell Brak (actual Síria), ainda numa forma abstrata, mas já com incisões de olhos muito pronunciados.
Mas o formato mais parecido com o actual remonta a 1500 a.C. e foi encontrado em escavações no Egipto. No Egipto antigo, o amuleto mais famoso era o Olho de Hórus, que garantia protecção e seria uma forma de ter o caminho iluminado após a morte. Terá sido, por isso, o Olho de Hórus o antecessor do "Olho turco".
O fascinante azul-cobalto do Deus do Céu
Nessa época, para os amuletos, os egípcios usavam uma mistura de argila acetinada, rica em óxidos de cobre e cobalto, que, ao serem aquecidos no processo de vitrificação, assumem a cor azul.
De acordo com Nese Yildiran, as tribos turcas tinham fascínio por esse tom de azul por causa da conexão com o seu Deus do Céu, Tengri, e, provavelmente por essa razão, passaram a usar a argila acetinada Egípcia para a confecção do "Olho turco".
Olho por olho
É curioso como a crença subjacente ao uso do “Olho turco” é a de que existe um poder malicioso no olhar de um invejoso e, ao mesmo tempo, é um olho o símbolo que representa a protecção contra esse olhar.
Pressupõe-se que este olho possa simbolizar o olhar de Deus, que consegue iluminar e proteger todas as pessoas, acima de qualquer inveja humana.
Ao longo de milénios
O mais fascinante no olho turco é a sua longevidade. E o facto de o seu uso manter o mesmo propósito ao longo de milénios.
Embora o símbolo possa ter a capacidade de transcender limites (sejam eles culturais, geográficos ou religiosos), pode valer a pena considerar o seu significado além de uma questão de moda.
Com as transformações no mundo moderno, o amuleto poderia já ter perdido o seu significado e a sua história. Mas o "Olho turco" é remanescente do início da civilização e abarca algumas das crenças mais duradouras e profundas da humanidade. Talvez por isso consiga perpetuar-se.
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